Em dois meses, janeiro e fevereiro, pelo menos doze pessoas morreram no trânsito em Sorocaba. A maioria é de idosos atropelados e jovens que pilotavam motocicletas. O levantamento foi feito por meio do noticiário do jornal Cruzeiro do Sul e abrange rodovias e áreas urbanas. Não existe em Sorocaba estatística oficial atualizada sobre mortes no trânsito com idades das vítimas e por questões técnicas a polícia não contabiliza a morte quando ocorre no hospital, um ou mais dias após o acidente.
Das doze mortes por acidentes de trânsito em Sorocaba, cinco foram de pessoas que conduziam motos, dos quais quatro tinham menos de 25 anos. Em apenas um dia, 15 de janeiro, dois jovens morreram em acidentes de moto: o mecânico Tiago Lúcio da Costa, 24 anos, e o forneiro Carlos Alves Silva, 22.
Tiago perdeu o controle da moto na avenida Itavuvu e bateu numa árvore. Carlos trafegava pela avenida General Carneiro e teria sido fechado pelo motorista de um Uno. A Polícia Civil investiga se houve intenção do motorista. Outro acidente de moto, que resultou na morte do técnico químico Alex Sander de Souza, 32, poderia ser evitado. Ele foi surpreendido por um carro na contramão da avenida Sacrac Arruda.
Nos dois primeiros meses de 2011, o trânsito provocou quatro mortes de pessoas com mais de 60 anos: três atropeladas e uma devido à colisão de carros. Os atropelamentos ocorreram nas principais avenidas da Zona Norte: Ipanema, Itavuvu e Edward Fru-fru Marciano da Silva. Com idade avançada para padrões brasileiros, perderam a vida os aposentados Ozorio Aguilera, 88 anos; Crélia de Souza Durante, 74; e Suzana Cuchera, 73. Por coincidência, Ozorio e Suzana sofreram atropelamento no mesmo dia 13 de fevereiro, ele na avenida Itavuvu e ela na avenida Ipanema.
Nove dos doze acidentes fatais do bimestre se deram na área urbana de Sorocaba. Três foram em rodovias: dois na Raposo Tavares (SP-270) - atropelamentos - e outro na João Leme dos Santos (SP-264), a colisão entre quatro carros que tirou a vida do aposentado Benedito Rodrigues de Lima, 65. Ele dirigia um Escort.
No resto do País
O mapa da violência no Brasil, divulgado no final de fevereiro pelo Ministério da Justiça, registrou aumento de 32% nas mortes de jovens por acidentes de transporte entre 1998 e 2008, enquanto na população em geral aumentou 26%. Falta de fiscalização e consumo de álcool e drogas são as principais causas apontadas pelos pesquisadores.
As estatísticas em âmbito nacional geralmente têm defasagem, incluindo às de trânsito. Os dados utilizados para elaborar o mapa da violência são de 2008 porque eram os que estavam consolidados e disponíveis ao Ministério da Justiça.
Mais idosos
Com o crescimento da expectativa de vida, mais idosos circulam a pé em atividades cotidianas, porém a mobilidade não é a que tinham antes e ficam mais sujeitos aos acidentes. De acordo com a Associação Brasileira de Educação de Trânsito (Abetran), os idosos têm se destacado entre as maiores vítimas de atropelamentos nas grandes cidades.
Em Sorocaba, ainda não há preocupação quanto ao atropelamento de idosos que tivesse motivado campanha preventiva específica. Os três acidentes fatais no primeiro bimestre aconteceram em avenidas da Zona Norte, região da cidade com maior potencial de expansão comercial e urbana.
Jovens sofrem com impulsividade e idosos com limitações físicas
A impulsividade somada à ideia de que nada de mal vai acontecer movem a juventude a enfrentar desafios. Em muitos aspectos é fator positivo, mas no trânsito esse ímpeto faz com que corram riscos desnecessários e não atentem para o perigo, diz a doutora em psicologia da educação Sonia Chébel Mercado Sparti. Para o jovem, o veículo, seja carro ou moto, tem o sentido de autoafirmação, pois confere autonomia, independência e status de um "imaginário deslumbrante", observa Sônia.
Na faixa etária avançada, no entanto, as limitações físicas nem sempre são levadas em conta. Dificuldades para andar, enxergar e escutar, que surgem naturalmente com o tempo, afetam de maneira direta a mobilidade e a capacidade de antever um acidente. "Deve-se ter em mente quais são os limites e buscar adaptar-se a eles", diz a psicóloga.
Na tese de doutorado "Educação para o trânsito como desenvolvimento da consciência", a psicóloga realizou pesquisa com jovens universitários. Alguns viam o carro ou a moto como um brinquedo, algo que dá prazer. Nesse sentido, Sônia cita referências na publicidade, esportes, filmes e outras manifestações culturais, principalmente para os homens, que enaltecem o domínio da velocidade. "Aquele que mostra que sabe dirigir perigosamente é valorizado", considera a psicóloga.
Peças decorativas de carros e motos são comuns em quartos para meninos. Em suas pastas de recortes para pesquisas, Sonia guarda anúncios de camas que imitam carros. Para ela, desde pequenos há incentivo para que quando cresçam tornem-se desafiadores. Dependendo de cada personalidade, podem se transformar em irresponsáveis no trânsito. Essa é a explicação para que acidentes de motos com mulheres sejam raros.
Sonia ressalta ainda o fato de que muitos adolescentes costumam dirigir antes dos 18 anos, com a autorização dos pais. Há pessoas que vêem o outro no trânsito como inimigo, rival na disputa do espaço, quando deve-se ter sempre atitudes de cooperação e tolerância. "É mais fácil dominar a máquina que a si mesmo", ressalta a psicóloga.
Quanto aos idosos, Sonia considera que devem evitar sair sozinhos quando perceberem que têm dificuldades para andar ou enxergar. O ideal é que um amigo, filho ou neto acompanhe a pessoa de idade. O cuidado serve também para prevenir quedas e de serem alvos de ladrões e estelionatários. O tema é esmiuçado no livro do professor Reinier Rozestraten: "O idoso no trânsito", cita a psicóloga.
Para Sonia, a educação de trânsito deve ser levada e tratada com seriedade em todos os ambientes, como escolas, empresas e igrejas. Ela sugere a criação de grupos de debate. Normalmente se fala do assunto com maior ênfase uma vez por ano, na semana do trânsito, realizada em setembro. Todos estão sujeitos às tragédias nas ruas, avenidas e rodovias, que acontecem quase diariamente, alerta Sonia. Quando não há morte, há ferimentos graves que deixam sequelas.
Jovens sofrem com impulsividade e idosos com limitações físicas
A impulsividade somada à ideia de que nada de mal vai acontecer movem a juventude a enfrentar desafios. Em muitos aspectos é fator positivo, mas no trânsito esse ímpeto faz com que corram riscos desnecessários e não atentem para o perigo, diz a doutora em psicologia da educação Sonia Chébel Mercado Sparti. Para o jovem, o veículo, seja carro ou moto, tem o sentido de autoafirmação, pois confere autonomia, independência e status de um "imaginário deslumbrante", observa Sônia.
Na faixa etária avançada, no entanto, as limitações físicas nem sempre são levadas em conta. Dificuldades para andar, enxergar e escutar, que surgem naturalmente com o tempo, afetam de maneira direta a mobilidade e a capacidade de antever um acidente. "Deve-se ter em mente quais são os limites e buscar adaptar-se a eles", diz a psicóloga.
Na tese de doutorado "Educação para o trânsito como desenvolvimento da consciência", a psicóloga realizou pesquisa com jovens universitários. Alguns viam o carro ou a moto como um brinquedo, algo que dá prazer. Nesse sentido, Sônia cita referências na publicidade, esportes, filmes e outras manifestações culturais, principalmente para os homens, que enaltecem o domínio da velocidade. "Aquele que mostra que sabe dirigir perigosamente é valorizado", considera a psicóloga.
Peças decorativas de carros e motos são comuns em quartos para meninos. Em suas pastas de recortes para pesquisas, Sonia guarda anúncios de camas que imitam carros. Para ela, desde pequenos há incentivo para que quando cresçam tornem-se desafiadores. Dependendo de cada personalidade, podem se transformar em irresponsáveis no trânsito. Essa é a explicação para que acidentes de motos com mulheres sejam raros.
Sonia ressalta ainda o fato de que muitos adolescentes costumam dirigir antes dos 18 anos, com a autorização dos pais. Há pessoas que vêem o outro no trânsito como inimigo, rival na disputa do espaço, quando deve-se ter sempre atitudes de cooperação e tolerância. "É mais fácil dominar a máquina que a si mesmo", ressalta a psicóloga.
Quanto aos idosos, Sonia considera que devem evitar sair sozinhos quando perceberem que têm dificuldades para andar ou enxergar. O ideal é que um amigo, filho ou neto acompanhe a pessoa de idade. O cuidado serve também para prevenir quedas e de serem alvos de ladrões e estelionatários. O tema é esmiuçado no livro do professor Reinier Rozestraten: "O idoso no trânsito", cita a psicóloga.
Para Sonia, a educação de trânsito deve ser levada e tratada com seriedade em todos os ambientes, como escolas, empresas e igrejas. Ela sugere a criação de grupos de debate. Normalmente se fala do assunto com maior ênfase uma vez por ano, na semana do trânsito, realizada em setembro. Todos estão sujeitos às tragédias nas ruas, avenidas e rodovias, que acontecem quase diariamente, alerta Sonia. Quando não há morte, há ferimentos graves que deixam sequelas.
Notícia publicada na edição de 16/03/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 013 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

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